Encurralado entre Deus e uma ponta de espada.
Não serei como Aquiles, serei mortal e voltarei.
Não haverá mouro a impedir a vontade de el-rei!
Tendo Deus por bandeira, dominarei toda a terra,
E semearei fome, miséria, morte, peste e a guerra.
Não serei como Alexandre, aqui eu não perecerei.
Não haverá mouro a impedir a vontade de el-rei!
Esconderei a minha dor sob os pés da minha fé.
Não serei como Ulisses, cedo eu te encontrarei.
Não haverá mordaça para calar o que não revelei!
E, no céu raiado pela aurora que se desmancha,
Atravessado por lanças, teu lamento merecerei.
Não haverá forca a impedir a vontade de el-rei!
* Jorge Rodrigues *
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