Numa noite dessas em que parecia não haver aurora,
eu naveguei por horas e invadi algumas ilhas vizinhas.
Mas nesse mar não há como escapar sem retaliação...
Então, ao capitular, deixo aqui confissão de marujo:
Fatigado de mar, quero terra para me abrigar.
Sou um vencedor vencido pelas batalhas..
23/04/2007
*Jorge Rodrigues*
sexta-feira, 29 de junho de 2007
MITOS
I
Eu sou o sol
e teço os dias
no rasto da luz
que seiva o solo.
E, assim, sempre,
da posse das manhãs
ao descer das sombras,
venço as trilhas do céu.
II
Eu segui o sol
e senti que a cera
que selou as penas
cedo ia ceder.
E, do céu ao sal,
meu ser lançar-se
pra o sonho, são,
mais ampliar-se.
III
Eu quis o sol
por gosto e sina
e, cego, guiei no céu
rédeas em chamas.
E, no traço da luz,
o braço não soube
juntar-se ao risco,
e audaz jaz o viço.
IV
Eu pus o sol
aos pés do ser,
que de um sopro fiz
e, sem mim, se fez.
Mas o deus quis
assim não o fosse:
a asa me rasgou,
a seta me sarou.
13/06/2007
*Jorge Rodrigues*
Eu sou o sol
e teço os dias
no rasto da luz
que seiva o solo.
E, assim, sempre,
da posse das manhãs
ao descer das sombras,
venço as trilhas do céu.
II
Eu segui o sol
e senti que a cera
que selou as penas
cedo ia ceder.
E, do céu ao sal,
meu ser lançar-se
pra o sonho, são,
mais ampliar-se.
III
Eu quis o sol
por gosto e sina
e, cego, guiei no céu
rédeas em chamas.
E, no traço da luz,
o braço não soube
juntar-se ao risco,
e audaz jaz o viço.
IV
Eu pus o sol
aos pés do ser,
que de um sopro fiz
e, sem mim, se fez.
Mas o deus quis
assim não o fosse:
a asa me rasgou,
a seta me sarou.
13/06/2007
*Jorge Rodrigues*
sábado, 9 de junho de 2007
IMPRESSÕES
Enganei-me pensando ser uma luz
que iluminava o seu caminho,
pensando ser uma força que
fazia vibrar todas as suas esperanças.
Pobre de mim! Você não percorria estradas,
apenas as observava passar, e,
nem tampouco, acreditava em esperanças:
você fazia dos seus desejos a vontade dos outros.
INVERNO DE 1989
JULHO
que iluminava o seu caminho,
pensando ser uma força que
fazia vibrar todas as suas esperanças.
Pobre de mim! Você não percorria estradas,
apenas as observava passar, e,
nem tampouco, acreditava em esperanças:
você fazia dos seus desejos a vontade dos outros.
INVERNO DE 1989
JULHO
segunda-feira, 28 de maio de 2007
O ETERNO SER ETERNO
Eu sou uma criança perdida na multidão…
na inquietação...
não há brinquedos que me agradam!
não há sonhos que me completam!
Eu sou um velho esquecido na solidão...
na imansidão...
na há flores que me queiram!
não há dores que me bastam!
21/03/2007
* Jorge Rodrigues *
na inquietação...
não há brinquedos que me agradam!
não há sonhos que me completam!
Eu sou um velho esquecido na solidão...
na imansidão...
na há flores que me queiram!
não há dores que me bastam!
21/03/2007
* Jorge Rodrigues *
quarta-feira, 23 de maio de 2007
MARÉ
vem a mágoa
no imenso remanso d'água .
Vai a mágoa,
vem a vaga
no tenso avanço que afaga.
22/05/2006
* Jorge Rodrigues *
MATEMÁTICA
adicionou e subtraiu o que eu não tinha,
quis me multiplicar pelo o que não sou
para dividir-me pelo o que não queria!
Você me distribuiu pelas suas vontades:
introduziu seus números na minha cena,
atuou gestos, fracionou-me pensamentos
e elevou o meu amor à potência do ódio!
Mas a razão nada tem a ver com o desejo.
E, no amor, nada se pertence nem se contem
porque o tempo é o mestre que dá a medida
daquilo que se constrói sem ser calculado!
22/05/2007
* Jorge Rodrigues *
segunda-feira, 21 de maio de 2007
DÊ-NOS CRACIA
Não me venhas com democracia
Pois isto continua uma hipocrisia
Há ainda uma nota de melancolia
Na guitarra do roqueiro da alegria.
Falta nos jovens dos velhos a rebeldia.
Seque o seu marasmo bebendo nostalgia
Daqueles tempos que sobrava grosseria
Da polícia: prisão e sem dó pancadaria.
Não me venhas com dramaturgia
Há tempos que só temos picardia
E dos atores só resta a poligamia:
Salve os áureos tempos da polissemia.
E olhe só que tamanha a galhardia!...
Putas e deputados fodendo o seu dia-a-dia
E você ai com sua comiseração de bom-dia.
Acorda! Levanta! Os mortos merecem utopia.
11/02/2007
* Jorge Rodrigues *
Pois isto continua uma hipocrisia
Há ainda uma nota de melancolia
Na guitarra do roqueiro da alegria.
Falta nos jovens dos velhos a rebeldia.
Seque o seu marasmo bebendo nostalgia
Daqueles tempos que sobrava grosseria
Da polícia: prisão e sem dó pancadaria.
Não me venhas com dramaturgia
Há tempos que só temos picardia
E dos atores só resta a poligamia:
Salve os áureos tempos da polissemia.
E olhe só que tamanha a galhardia!...
Putas e deputados fodendo o seu dia-a-dia
E você ai com sua comiseração de bom-dia.
Acorda! Levanta! Os mortos merecem utopia.
11/02/2007
* Jorge Rodrigues *
NOITRISTE
Num átimo reverberado de remanso e de sabotagem
Um bêbedo anônimo oscilado no abismo da calçada
Uma amante sem alforria, automática e despudorada
Uma mulher de alegoria, vigilante no cárcere do lar
A ave notívaga de um poema branco pairando a vagar
Música sem melodia num ébrio silêncio em sinfonia.
Ó Noite... Esparja a seiva do entusiasmo e da ruína
Na cobiça feroz daqueles de essência ou de ausência
Gotas de confusão na boca do arlequim abandonado
Fluxo e refluxo na alienação das gerações estúpidas
Gravuras mortas na poeira infecciosa dos cigarros
Corações invisíveis notados por sanfonas embaçadas
Sangrias de pensamentos em copos vazios de almas:
Labirintos que o álcool trilha na memória e na vontade
Vai, Noite... Mata os teus protagonistas apaixonados:
As diáfanas bailarinas cegas do infindável balé surdo
O pierrotesco monstro interior das muralhas de papel
Os visitantes efêmeros acovardados nas oportunidades
As sentinelas dos prazeres e dos sonhos de néon
Alimentadas por uma hora e trinta moedas de aflição
Na fé finita sob a égide colérica de um deus agnóstico.
Vem, Noite... Que eu estou faminto por tua glória
Mata-me!Devora-me! Enlouqueça-me! Ceda-me!
Acena-me com teus múltiplos braços imaginários;
Ofereça-me os teus êxtases e as tuas mandingas;
Arrebata-me com a tua mesquinha mão diabólica
E, com a outra, receba-me no teu catre de delícias;
Abre-me tua campa confortando-me em teus tentáculos;
E lança-me nos atalhos dos perigos da via lastimosa.
OUTONO DE 2002
MAIO
* Jorge Rodrigues *
O VENDAVAL E A PEDRA
daqueles que não fazem anúncio de chegada
e atiram a pedra no seu abraço
e riscam a pedra sem deixar traço.
Entendeu que foi o vendaval...
que parou a noite no meio da lua
e aprisionou a pedra em seu laço
e estilhaçou a pedra naquele lapso.
Pereceu então a inerte miúda
no ronco rouco do turbilhão
a consumir o enigma que medra
dois elementos na esfera miúda,
engolindo o tempo de satisfação:
cedo o vendaval, tardia a pedra.
21/01/2007
* Jorge Rodrigues *
RITUAL DE AMOR
Raros e preciosos os momentos de ontem
onde a fantasia virtual de simples alegoria
surgiu livre, intensa por desejos de alforria
instável, de imediato, constante na alegria.
Lembranças de ontem serão como a vaga
eternamente no frouxo ir e vir sobre a areia
namoro idílico em um ritual sem desleixo
eclipse apaixonado no refluxo após o beijo.
INVERNO DE 2001
JULHO
* Jorge Rodrigues *
onde a fantasia virtual de simples alegoria
surgiu livre, intensa por desejos de alforria
instável, de imediato, constante na alegria.
Lembranças de ontem serão como a vaga
eternamente no frouxo ir e vir sobre a areia
namoro idílico em um ritual sem desleixo
eclipse apaixonado no refluxo após o beijo.
INVERNO DE 2001
JULHO
* Jorge Rodrigues *
SERENATA DE PALAVRAS
Costumam negar as coincidências, disfarçar as evidências;
adorar o efêmero, que é tão rápido e fácil;
relegar o infindo, que é tão assaz lento e complicado.
Idilicamente, só o que é complicado sobrevive.
Nada instantâneo serve: mero valor imediato.
A constância é que nos torna eficazes no amor!
PRIMAVERA DE 2000
SETEMBRO
* Jorge Rodrigues *
adorar o efêmero, que é tão rápido e fácil;
relegar o infindo, que é tão assaz lento e complicado.
Idilicamente, só o que é complicado sobrevive.
Nada instantâneo serve: mero valor imediato.
A constância é que nos torna eficazes no amor!
PRIMAVERA DE 2000
SETEMBRO
* Jorge Rodrigues *
A FONTE
Um rosto caiu em meus pensamentos
E mil palavras se ergueram dentro deles;
Sem saber que morreriam nos lábios
Ante a presença do olhar daquele rosto...
Um coração então mergulhou em desespero
E a solidão atravessou-o com uma flecha,
Superando qualquer forma idílica de dor,
Mesmo tendo a esperança por companheira.
Como o coração, a alma também padece
E a voz, em sussurro, se perde em devaneio:
A voz do rosto lhe inunda os ouvidos...
O perfume do corpo lhe invade os sentidos...
Adormecido o sofrimento, o sonho sereno chega
E, sem temores, os lábios revelam
Coisas que os olhos não podem ocultar
Mas que tentam, sem sucesso, disfarçar!
PRIMAVERA DE 1997
NOVEMBRO
* Jorge Rodrigues *
ADEUS!
Me entorpece o sentido!
Me dá um abrigo!...
Ah! Deus! Me dá um amigo!
Me cede o ouvido!
Fica aqui comigo!...
Deus?!...
Ah! Deus!
Adeus!
12/02/2007
* Jorge Rodrigues *
quinta-feira, 17 de maio de 2007
O FAROL
e o farol se ressente
no clarão da melancolia.
Sofre por lembranças,
dorme sem esperanças:
a morte sempre o alcança…
Agora lá onde dorme o vento
a prata já não cobre o mar,
pois é o ouro agora a cantar.
Mas não tarda a alegria
por de novo girar a roda,
que por ser roda, rola:
Deita a noite sobre o dia
e assim renasce o farol
na eterna morte do sol.
17/05/2007
* Jorge Rodrigues *
O SOLDADO E SUA AMADA
Encurralado entre Deus e uma ponta de espada.
Não serei como Aquiles, serei mortal e voltarei.
Não haverá mouro a impedir a vontade de el-rei!
Tendo Deus por bandeira, dominarei toda a terra,
E semearei fome, miséria, morte, peste e a guerra.
Não serei como Alexandre, aqui eu não perecerei.
Não haverá mouro a impedir a vontade de el-rei!
Esconderei a minha dor sob os pés da minha fé.
Não serei como Ulisses, cedo eu te encontrarei.
Não haverá mordaça para calar o que não revelei!
E, no céu raiado pela aurora que se desmancha,
Atravessado por lanças, teu lamento merecerei.
Não haverá forca a impedir a vontade de el-rei!
* Jorge Rodrigues *
O OBSERVADOR DO MEIO DA PONTE:
Os carros passam! Não sei nem a marca!
O vento burocrático quer derrubar motos!
E o mar tão calmo!
A fumaça da fábrica de ferro fuzila!
O morro da fé me lembra índios mortos!
E o mar tão doce!
Não tem ferry-boat! Mas o rebocador...
Ainda assim a espuma é admirável branca.
E o mar tão perto!
Oh! Jurema! Que curva me apontas?
No Shopping, ninguém se encontra.
Mas o mar!...
11/02/2007
* Jorge Rodrigues *
O vento burocrático quer derrubar motos!
E o mar tão calmo!
A fumaça da fábrica de ferro fuzila!
O morro da fé me lembra índios mortos!
E o mar tão doce!
Não tem ferry-boat! Mas o rebocador...
Ainda assim a espuma é admirável branca.
E o mar tão perto!
Oh! Jurema! Que curva me apontas?
No Shopping, ninguém se encontra.
Mas o mar!...
11/02/2007
* Jorge Rodrigues *
MEU MEDO
tinha medo de Clarice Lispector.
Não da Clarice, mas da Lispector:
minha alma era miúda como eu mesmo.
O tempo passou, Clarice sumiu;
A alma cresceu, Lispector cedeu.
Mas no coração a dor dela não coube
E eu morri, sem saber o que houve...
11/02/2007
* Jorge Rodrigues *
O LABIRINTO
De certo isto é algo que eu não controlo, ou que não quero controlar...
Há tempos na minha mente que os caminhos eram todos conhecidos.
Em data, não acho pontes nem túneis.
Estou enclausurado num labirinto em mim mesmo,
Uma habilidosa tua construção.
Mas que dizer de ti, Minotauro?
Dedalus desapareceu nas asas de cera e não deixou mapas!...
Mas inconfortavelmente eu não tenho medo...
Sou o mais forte desde Teseu!
07/02/2007
* Jorge Rodrigues *
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